A diferença entre um homem e uma manga verde

A diferença entre um homem e uma manga verde
assistir filmes
Image by Paulo Brabo
é que a manga amadurece.

Há uma estupidez essencial embutida na alma masculina (para não dizer nas suas gônadas). Não se engane: não há homens sérios, espirituais e compenetrados. Não há um de nós que se alce ao sublime. Dizemos coisas inconsequentes, fazemos coisas fora de propósito e rimos de coisas impróprias. Essa leviandade faz parte do segredo comum que torna os homens frequentemente repugnantes e ocasionalmente irresistíveis.

Shakespeare não se considerava acima de piadas sobre sexo, mas ele era Shakespeare, amparado por uma redação impecável e uma compaixão inabalável diante de tudo que é humano. Vindo de alguém que absolutamente abominou Quem vai ficar com Mary e jamais recomendaria Borat em público: vá assistir Se beber não case (The Hangover/A ressaca, 2009).

Não se deixe enganar pelo trailer, que o levará a pensar num daqueles filmes genéricos em que homens adultos falam merda e agem como adolescentes. Acredite, os protagonistas de Se beber não case falam mais merda e agem mais como adolescentes do que sugere o trailer, talvez quase tanto quanto os homens da vida real, mas não há nada de genérico nas suas aventuras ou no humor que incitam. Por trás dessas inconsequências espreita algo que não comparece em nenhuma boa comédia que me venha à lembrança (nem mesmo as que mais gosto, que costumam ser um amontoado pouco coeso de piadas e esquetes soltas): uma história.

O complemento perfeito a Pra que servem os homens.

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